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terça-feira, 29 de abril de 2008

O maior erro da comunicação

“Ninguém me entende”; “por que Fulano não me ouve?”; “parece que eu falo para as paredes!”... Quantas vezes ouvimos certas pessoas fazerem estas reclamações sobre aqueles que as cercam? Elas nos fazem até concluir que são injustiçadas, exploradas, ignoradas pelos outros, sempre tão egoístas e insensíveis...

O que muitas dessas pessoas não sabem é que existe uma espécie de “regrinha básica” que é a base para uma comunicação eficaz entre duas pessoas. É uma regra simples, mas espantosamente ignorada: procure sempre se colocar no lugar da pessoa com quem você fala e assim você poderá obter mais dela.

Ninguém irá fazer o que você deseja, passar a pensar do seu jeito, comprar o seu produto ou serviço apenas porque você quer: para conseguir convencer alguém a qualquer uma dessas coisas, é indispensável que você mostre a essa pessoa o que ela vai ganhar com isso. Por exemplo: há pais que “imploram” para os filhos não fazerem bagunça com os brinquedos porque “eu não gosto de bagunça”. Ora, e daí que você não gosta de bagunça? E se seu filho gostar, como fica? Uma alternativa que pode dar melhores resultados é você lhe dizer que quando ele guarda os brinquedos ele não corre o risco de tropeçar neles e acabar quebrando-os – ou seja, mostrar a ele que ele vai ganhar alguma coisa com isso; os brinquedos dele não vão quebrar por esse motivo e assim eles podem durar mais.

Portanto, da próxima vez em que você estiver tentando convencer alguém a fazer algo que você acha ser o mais adequado, coloque-se por um momento no lugar dessa pessoa e pense: “Por que seria bom para ela fazer/pensar/comprar isso?”. Então, comece a falar com essa pessoa tendo ela como o foco da conversa, e não você. A grande maioria das pessoas, observe, se coloca como o centro das conversas que têm com os outros – “Ah, porque eu isso...”; “Eu acho errado você fazer isso porque...”; “Faça isso por mim”; “Você não pensa no meu lado?”, etc. – e, portanto, quem faz o inverso e se ocupa mais em ouvir e entender o seu interlocutor costuma conseguir muito mais resultados dele.

As crianças frente às dificuldades da vida

A história começa mais ou menos assim: Joãozinho, cinco anos, surpreende sua mãe chorando no quarto, escondidinha e muito sentida. Só de vê-la triste ele fica também, e vai lhe perguntar: “Mãe, o que aconteceu?”. Esta rapidamente enxuga as lágrimas e desconversa: “Nada, nada, filho... Vai lá brincar, vai!”. E lá vai o Joãozinho brincar, sem entender nada... E achando que chorar e ficar triste não deve ser uma coisa muito boa!

Agora Joãozinho está com dez anos e brigou com um colega da escola durante um jogo de futebol. Teve lá sua parcela de culpa no episódio, mas chega em casa furioso e reclamando do Zezinho para o pai. Este também fica furioso com o Zezinho e promete para o filho que amanhã mesmo irá reclamar com a diretora da escola sobre tamanho “atrevimento”, e logo em seguida diz: “Esquece disso... Vamos passear no shopping, que tal?”. E Joãozinho, que nesses momentos nunca sabe o que fazer com suas raivas e frustrações, prontamente aceita o convite.

Cinco anos depois, Joãozinho é levado pelos pais para o consultório de um psicoterapeuta especializado em atender “adolescentes-problema”. A mãe, toda chorosa, começa com as queixas: “Ele não liga para ninguém, é um insensível!”. E o pai continua: “Ele tem ‘pavio curto’, não tem limites, acha que sempre tem razão, que o mundo gira em torno dele”...

Esta história, exagerada de propósito, ilustra bem o que pode acontecer com uma criança quando em sua criação não lhe é dado espaço para vivenciar o sofrimento, as frustrações e outros sentimentos difíceis da vida. Quando amamos muito uma criança (um filho, um parente, um aluno), queremos o seu bem e que nada de mal lhe aconteça; porém, por vezes exageramos neste zelo, não lhes ensinando a experimentar a raiva, a dor, a tristeza, o ciúme, a indignação, etc. e a lidar com tudo isso de uma forma adequada – o que mais tarde poderá lhe custar muito caro.

Mesmo os adultos têm muita dificuldade com todos estes sentimentos, e a maioria deles gostaria muito que a vida só tivesse alegrias; entretanto, sabemos que isso é impossível. Se desde o início da sua vida uma criança tiver a seu lado adultos que lhe dão o “direito” de vivenciar sentimentos “ruins”, no futuro ela os aceitará como uma parte integrante da sua existência e saberá lidar melhor com eles.